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Os pilares tortos do MERCOSUL

Carolina Brandileone, Eduardo Pascoal, Mariana Cafer e Rafael Simões, alunos do curso de Jornalismo da ESPM/SP

Balança comercial. Essa é a principal vantagem e ao mesmo tempo problema do acordo econômico da América do Sul, o MERCOSUL. Agora, os países envolvidos no grupo tem serias discrepâncias, e o Brasil, o maior país, economicamente e geograficamente, do grupo rege o andamento do acordo, dominando a parte econômica, mas não é assim que alguns países, como Argentina, gostam.

O Brasil é líder do acordo, e isso já sabemos, só que uma posição como essa trás várias responsabilidades. Primeira delas é sempre manter com os países do grupo com uma relação boa e de ajuda em taxas alfandegarias. Segundo, o Brasil, como maior força econômica, acaba mantendo o acordo vivo. Logo, cabe ao país de Dilma Rousseff controlar essas duas questões.

Mas, existe também o lado negativo de ser líder de um grupo. Os outros países, por serem mais frágeis, são muitas vezes invadidos por produtos vindos do Brasil, desequilibrando a balança comercial destes, como acontece com Argentina desde a década passada. Por causa disso, a ação da Argentina foi simplesmente quebrar o acordo previsto no MERCOSUL e fechar as fronteiras para o produto brasileiro, tentando salvar o produto nacional argentino.

Esse passo de Cristina Kishner foi feito a partir de licenças não automáticas de importação, que travariam o comércio entre Brasil e Argentina. E essa medida foi tomada pelo para tentar conter o enorme problema econômico que eles sofrem desde 2001 quando deram calote na dívida.

E o problema não parou por ai, no início de 2012, a Argentina enfrentou a perspectiva de queda em 23% na produção de milho e 5% de soja, por conta da estiagem.

Por isso, a balança comercial passou a ser ponto de suma importância para o governo argentino, que conta com o imposto de importação, que compõe 20% da arrecadação.

Só que a Argentina não enxergou que balança comercial deles já era inferior a brasileira, e as medidas tomadas pelo Governo Kirshner pioraram a situação do país. Portanto, uma medida radical como as das licenças de importação sobre o Brasil talvez não seria a melhor opção.

E é nesse ponto que as pessoas se enganam, porque o Brasil, antes das licenças argentinas, já havia travado as relações alfandegarias com a Argentina, este que foi levado ao tribunal de arbitragem do MERCOSUL. Então, um acordo econômico é montado pois os países integrantes tem uma necessidade de se relacionarem com mais facilidade, mas por que isso, muitas vezes, fica de lado?

É por isso que acordo MERCOSUL é visto com receio. De fato, imaginar que acordos econômicos sobreponham a questão da nacionalidade e os interesses individuais de cada país é utópico, mas sempre querer levar vantagem é tão utópico quanto. É imprescindível que acordos assinados sejam cumpridos e vigiados, caso contrário o acordo perde sua reputação no cenário internacional e na mídia, como foi o que aconteceu.

Outro ponto que pode ter sido um tiro no pé do Mercosul foi a proibição de acordos econômicos entre seus países e outros blocos. Essa postura limita o crescimento de países menores que assim precisam se manter muito ligados ao Brasil, fora o prejuízo para o próprio Brasil que se vê atrelado a países com menor potencial, enquanto poderia estar alçando voos maiores.

A distância de interesses, bem como a obrigação de um relacionamento não poderia ter um bom resultado. Os entraves burocráticos que Brasil e Argentina colocaram entre si quando supostamente deveriam estar em um estágio avançado de integração comprovam essa teoria. Se acordos econômicos são um jogo de relações, basta Brasil e Argentina aprenderem como se joga.

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