Grécia, euro ou dracmas? Eis a questão

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Taísa Luna, aluna do curso de Jornalismo da ESPM/SP

A teoria de que existe um pote de ouro ao final do arco-íris, corresponde com a idealização do euro em 1999. A unificação da moeda prometia fortalecer e facilitar as relações comerciais da região, concretizando a política europeia como uma potência mundial. Entretanto, esse conceito se tornou realidade para poucos membros.

A União Européia fez com que países completamente divergentes se nivelassem em alto padrão. Enquanto a Grécia, economicamente subdesenvolvida, explorava o turismo e exportava mantimentos, a Alemanha vendia tecnologia de ponta. Os países passaram a ser proporcionais, fazendo com que os pequenos se tornassem “grandes”. Com isso, a balança comercial jamais penderia para o lado dos países mais pobres, sem considerar os escândalos de corrupção e as fraudes político-econômicas tão pragmáticas na Grécia.

Os fatos ocorridos sequencialmente levou a pensar o que seria do mundo sem o euro. A unificação incorreta do bloco levou à formação do grupo chamado pejorativamente de PIIGS, formado por Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha. Não conseguindo sustentar o peso do Euro, fizeram empréstimos a juros altíssimos e estão fadados à dívida eterna.

Retomando ao país que, por pouco não quebrou a unificação, à Grécia, sua saída da zona do euro não devolveria a vida dos dracmas – moeda grega. Estima-se que a qualidade de vida dos gregos, já muito debilitada, cairia 80% com o fim do unificação. Além disso, o governo que já não tem renda suficiente para sustentar e desenvolver o país, continuaria sem recursos para pagar as dívidas, fazendo com que fosse necessário recorrer ao pagamento de salários e benefícios sociais via nota provisória.

Não é só para a Grécia que o fim do euro não seria uma boa opção. A maior beneficiária da moeda, a Alemanha, também seria prejudicada de certa forma. A volta do marco alemão diminuiria a competitividade de exportação, causando a queda do poder de compra do país.

A saída de nenhum país é interessante para a união. Se os gregos fossem excluídos, os alemães – que fizeram empréstimos de dinheiro a juros altíssimos – perderiam o pagamento das mínimas prestações de dívida dos companheiros gregos.

Emprestar dinheiro a um país endividado, é, portanto, torná-lo seu aliado. O interesse do empréstimo não é ajudar um país do bloco ou ter o dinheiro de volta, mas sim beneficiar-se do lucro dos juros ilimitados.

Já se a Alemanha ou a França, países de alto poder econômico, não fizessem mais parte da União Européia, a moeda iria se desvalorizar de vez, quebrando assim, a unificação da moeda.

É de extrema importância ressaltar também que os aspectos sociais aflorariam com o fim do euro. A moeda surgiu no pós 2ª Guerra Mundial a fim de unificar os países e conter as desavenças. Sem a União Europeia, as fronteiras do continente se reergueriam e o fim da política integrada poderia trazer eventuais desavenças econômicas.

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