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Dossiê FLIP – ESPM 2014 Flipinha!

Vitoria Höffelmaier, Aluna da ESPM/SP

Flipinha! Uma Flip pequenininha? Uma Flip para crianças? Nem uma, nem exatamente outra. Batizada Flipinha em 2004, nasceu com um propósito muito especial: mais do que ser uma festa literária voltada ao público infantil, tem como mote a responsabilidade sociocultural para com as crianças de Paraty. Sendo assim, não poderia ter sido projetada de outra maneira senão como ápice ou auge de um movimento maior: o projeto Mar de Leitores; dessa forma, coroa o engajamento e o envolvimento praticado por professores e alunos durante o ano inteiro.

O projeto Mar de Leitores consiste em formar continuamente os educadores de escolas públicas e privadas da cidade, de modo a incentivarem os alunos a desenvolverem o hábito da leitura e o gosto pela mesma, bem como o senso crítico e capacidade de postura ativa em prol da transformação de seu ambiente. A primeira ação do projeto ocorre no início do ano letivo, quando os professores recebem o manual da Flipinha. Neste, encontram as informações dos autores que estarão presentes da edição do ano, sugestões de livros e de metodologias de abordagem dos temas com os alunos.

No mês de maio por sua vez, é distribuído para os educadores o material referente ao autor homenageado da edição da festa. Também nesse volume são oferecidas sugestões de como trabalhar o conteúdo em sala. Além disso, durante os meses, são promovidos saraus, workshops, palestras e documentários com o intuito de aproximar o público infantil e seus professores das obras dos autores e ilustradores que lhes virão falar no mês de julho.

Tendo sido passada a teoria, partamos à prática.

Semanas antes do grande evento, a cidade entra em seu processo de preparação: crianças, jovens e adultos se encontram com um lindo objetivo: enfeitar a praça da matriz, grande companheira da Flipinha. É lá que o público infantil encontra grande parte de suas atividades na festa, pois além de conter mesas com atividades diversas durante as tardes (de colagem a pintura), a praça é equipada com tapetes redondos que se abrigam do sol sob a copa das árvores. Pendem dos galhos livros e mais livros, centenas de títulos incríveis completamente voltados às crianças. Dessa forma, caminhando pela praça, encontra-se pais sentados lendo para seus filhos, jovens cursando a formação de professores contando

histórias para crianças curiosas o suficiente para se esquecerem da vergonha de falar com desconhecidos, e corajosos se aventurando por uma leitura autônoma.

Dois passos para o lado e encontra-se a tenda da Flipinha. É este o palco que arremata um ano de estudo: é nele que os autores conversam com o público, contam suas histórias; é lá que as escolas apresentam suas coreografias, seus poemas e todas as expressões culturais cuidadosamente ensaiadas e desenvolvidas nos meses anteriores.

Toda a inspiração advinda dessa produção de conhecimento e cultura nos leva a um novo tópico que flui nas veias da Flipinha: o design! O design emergente da espontaneidade da infância, da coragem da ousadia, da experimentação, do casamento de técnicas e cores. Toda a comunicação da Flipinha é fundamentada na produção das crianças, de modo que o programa, os folhetos, livretos e cartazes contém ilustrações de alunos das escolas de Paraty. E que lindas são…

Por fim, devo expressar minha visão acerca de tudo o que percebi analisando a Flipinha: trabalho com crianças há alguns anos já, de modo que desenvolvi grande interesse por seu processo de aprendizagem e, mais ainda por seu papel no futuro. Com base nisso, vejo a Flipinha como uma enorme oportunidade não só de crescimento pessoal ou individual, mas de instigar potenciais agentes transformadores (pensando grande!) do mundo! Não descarto o papel da minha geração nessa empreitada: é responsabilidade de todos nós. Mas enriquecer a bagagem de todos que habitam e habitarão nosso planeta com possibilidade de ação transformadora consciente e crítica é fundamental.

A leitura, a busca por conhecimento, a curiosidade são valores passados a essas crianças desde cedo. Talvez o retorno não seja imediato (também a Flip foi pensada como um projeto de longo prazo), mas acredito firmemente que se algo é feito, há mudança. Ela pode ser pequena, mas só não existe quando nada é feito.

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