Refletindo sobre o Trabalho

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Mariana Malvezzi

O Trabalho, como atividade humana ou prática social, é um elemento que inevitavelmente faz parte da história do homem e da sociedade. Desde Lucy (um dos hominídeos mais antigos) até o trabalhador da bolsa de valores de São Paulo ou mesmo do índio Tucano da Amazônia, a questão do Trabalho se faz presente e mostra-se intrínseca à existência da vida humana. Como então o homem e as organizações enxergam a questão do Trabalho? Como o Trabalho se faz presente na vida da humanidade?

Com o intuito de facilitar a aproximação aos entendimentos do Trabalho este ensaio partiu de provérbios populares que, como uma forma de conhecimento comum compartilhado, nos ensinam a olhar o mundo e a nós mesmos. Organizando-os de acordo com o conceito que designam ou melhor que defendem para a questão do Trabalho foi possível definir a existência de dois grandes grupos bastante distintos, que serão apresentados a seguir:

O Trabalho como condição de sobrevivência
“Deus ajuda quem cedo madruga”

Neste grupo, aqui denominado como provérbios que conceituam o trabalho como uma atividade árdua e penosa, o trabalho é visto como uma condição que nos afasta dos males, da pobreza e do vicio. A atividade humana representada aqui é apenas um meio, com um fim em si mesmo, em direção a mera sobrevivência tanto do suprimento das necessidades físicas (fome) como do afastamento das demais tentações da vida (vício). Nota-se em alguns destes provérbios que o trabalho é visto como algo extremamente penoso e árduo.

A concepção de trabalho apresentada por este grupo de provérbios lembra a definição de labor apresentada por Arendt (1958). Segundo a autora, Laborar (aqui nestes ditados referido com o termo trabalhar) significa “ser escravizado pela necessidade” no sentido de que a própria vida se torna dependente de tal esforço. O trabalho (labor) é o que proporciona ao homem o alimento, o abrigo e a segurança.

O Trabalho como emancipação
“O trabalho enobrece o Homem”

Os provérbios aqui agrupados se referem a questão do trabalho como atividade cujo valor extrapola a ação propriamente dita e que acrescenta ao homem uma genialidade uma divindade que possibilita a transformação da sociedade, do pensamento e de si próprio. O trabalho que enobrece pode ser entendido como todas aquelas atividades que de uma forma ou outra são capazes de nos diferenciar dos animais e que tornam o homem, Homem.

O sujeito deste trabalho, diferentemente do animal laborans, foi denominado por Arendt (1958) como homo faber. Aquele que cria o artifício humano, entendido como elemento durável e não consumido com a atividade em si. Neste sentido enquanto o animal laborans que labora e se mistura aos materiais de sua ação, não deixando rastros atrás de si, o homo faber é capaz de trabalhar sobre os materiais gerando a partir de sua ação “o que é próprio do homem”.

A reflexão proposta por este ensaio, recortada a partir de ditados e provérbios, revela as dicotomias nessa importante atividade humana, o Trabalho.

Tal condição nos permite ampliar esta reflexão para o ambiente organizacional. Como as políticas e práticas organizacionais compreendem o trabalho? Pode o trabalho, como obra humana, tornar-se uma atividade, que além de oferecer subsistência, nos elevem todos a um grau de criadores do artifício humano? Como pode a gestão de pessoas ajudar nesta transformação no sentido de possibilitar ao homem o alcance de suas potencialidades?

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