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Quando a Economia volta a ser um instrumento da Política

Gunther Rudzit

No Pós Guerra, quando o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) se intensificou, a maior preocupação das empresas era se o país no qual se investia corria o risco de passar por uma revolução e se tornasse parte do bloco socialista, ou então, um governo mais nacionalista assumisse o poder. O resultado deste processo normalmente era ou a expropriação ou a nacionalização dos ativos. Com o fim da Guerra Fria, e a intensificação da globalização, passou-se a assumir que a lógica econômica se sobrepunha à logica política ou geopolítica, assim, o temor deste tipo de política praticamente desapareceu.
Contudo, junto com a globalização econômica veio a intensificação da comunicação, primeiro com a internet, e agora com as redes sociais, criando um novo temor para as empresas, o boicote de consumidores.
Em 2007 após vários cachorros e gatos de estimação morrerem na América do Norte, Europa e África do Sul, foi identificado que empresas chinesas de ração animal estavam adulterando seus produtos. Quando começou uma movimentação dos consumidores americanos a fim de boicotarem produtos chineses para animais, o governo de Pequim interveio em duas empresas, prendeu seus administradores e anunciou uma série de medidas para melhorar o controle e a segurança desses produtos.
Em 2008 foi a vez de empresas francesas sofrerem uma campanha por parte da população chinesa de formar um boicote às empresas deste país. Isto se deu depois que manifestantes pró-Tibet tentaram impedir a passagem da tocha olímpica pela França, como um protesto às Olimpíadas que seriam realizadas ainda naquele ano em Pequim. Mesmo contra a orientação do governo, esse movimento teve força por alguns meses, afetando o resultado financeiro de algumas marcas francesas.
Contudo, em 2010 a dinâmica política, ou geopolítica, interferiu radicalmente nas relações comerciais. Neste ano um navio pesqueiro chinês foi apreendido pela guarda costeira japonesa em águas disputadas pelos dois países. A crise escalou rapidamente e com intensidade muito forte, levando as empresas chinesas que exportavam terras raras para o Japão a anunciarem “voluntariamente” que boicotariam o país. Logo após este anúncio, o governo de Tóquio liberou o capitão chinês e dias depois, o economista americano Paul Krugman publicou um artigo afirmando com uma certa surpresa que a China estava perigosamente ansiosa para deflagrar uma guerra comercial, algo impensável em plena era do globalização.
Hoje, a dinâmica política é um fator indispensável para a análise de empresas envolvidas no comércio internacional. Em julho passado, a Petrobras se recusou a abastecer navios iranianos com receio de ser incluída na lista da Agência de Controle de Ativos Estrangeiros nos EUA e sofrer sanções por parte do governo norte americano, que impôs sanções a empresas que negociarem com o governo e empresas iranianas.
Com a escalada da guerra comercial entre EUA e China ganhando novos contornos é de se esperar que medidas como esta sejam adotadas por parte dos dois governos, e por isto, as empresas brasileiras, precisam cada vez mais estar atentas ao desenvolvimento de medidas iguais, pois indiretamente, elas podem ser afetadas, resultando em perdas muito grandes.

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