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Psicologia nas Organizações: Infraestrutura psíquica dos grupos

Mariana Malvezzi

Parafraseando a Teoria da Gestalt, pode-se dizer que um grupo é mais que a soma de suas partes, que a mera soma de seus membros. A resultante dos efeitos das interações de membros em um grupo tem sido uma preocupação constante de diferentes correntes que estudam o comportamento humano nas organizações e fora dela.

Bion, um importante psicanalista que estudou grupos e suas dinâmicas, afirma que o comportamento de um grupo se concretiza em dois níveis: o da tarefa e o das emoções. Ele observou que, quando se agrupam diante de uma situação problema pessoas que individualmente se comportam de forma razoável, dificilmente como grupo estes sujeitos serão capazes de um comportamento coletivo racional. Frente a isso Bion afirma a predominância dos processos psíquicos primários no agir do grupo e conclui que a cooperação consciente entre os membros de um grupo requer uma circulação emocional e fantasmática inconsciente entre eles.

O autor ressaltou que os indivíduos reunidos em um grupo combinam automaticamente e involuntariamente para agir de acordo com estados afetivos que ele chamou de pressupostos básicos.

Como produções em grupo, os pressupostos básicos, tendem a evitar frustrações em face às demandas apresentadas pela realidade e pelo processo de aprendizagem. Bion os classificou em três categorias: de dependência, de ataque e fuga e de união que podem ser descritos em linhas gerais como:

· Dependência (dependency): os membros se consideram imaturos e despreparados e consideram o líder uma figura onipotente e onisciente (características de divindade). A atenção deste grupo está na figura do líder;
· União (pairing): os membros do grupo acreditam que um líder ainda está por vir e pode ser uma pessoa ou ideia que virá salvar a todos. A atenção dos membros deste grupo está voltada ao futuro, a esperança;
· Ataque e fuga (fight-fllight): os membros do grupo funcionam como se estivessem reunidos para lutar ou fugir de algo. A atenção dos membros está na crença que o bem estar individual é menos importante que o do grupo.

Os pressupostos básicos aqui descritos protegem contra a ansiedade imposta pela realidade e se referem ao nível emocional do funcionamento do grupo ao regular as ações individuais de seus integrantes.
Considerando que o grupo opera em dois níveis, o da tarefa e o das emoções é essencial para que se torne efetivamente um grupo de trabalho (nível das tarefas): a cooperação e a busca consciente do entendimento de si e do outro. A autocrítica ganha aqui uma especial função ao oferecer aos sujeitos a oportunidade de, através dela, entrarem em contato com a realidade, estabelecerem relações entre si e trabalharem de forma colaborativa e efetiva diante de uma tarefa comum.

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