Por que Freud hoje?

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Pedro de Santi
Serviço: lançamento do livro no dia 09/12, às11:00 hs, na Casa do Saber (Rua Dr. Mario Ferraz, 414). Haverá um debate com alguns dos autores, seguida da sessão de autógrafos.

O livro foi organizado pelo psicanalista Daniel Kupermann, professor do Instituto de Psicologia da USP, para uma coleção da Editora Zagodoni. Já foram lançados volumes sobre Lacan, Winnicott e Laplanche. No caso do volume sobre Freud, foi decidido que seria mais interessante que houvessem vários autores, como forma de buscar um retrato de várias formas de difusão e enraizamento do criador da psicanálise, hoje.
Parte dos autores tratou de dar uma resposta à questão trabalhando os desdobramentos da obra de Freud por autores que derivaram dele suas próprias obras; outros trataram da atualidade de seus conceitos; outros, ainda, trataram das interfaces da psicanálise com outras áreas, como a educação, a psiquiatria e a neurociência.
Ao todo, foram 13 autores, seguidos de um posfácio de Renato Mezan, talvez o mais importante entre os estudiosos de Freud em nosso país.
Desde ao menos os anos 80, quando sequer tínhamos uma boa tradução de Freud à nossa disposição, desenvolvemos uma tradição critica importante sobre sua obra. Autores como o próprio Mezan, ao lado de Maria Rita Khel e Joel Birman (que também contribuíram para este volume) e também Luiz Alfredo Gacia-Rosa, Sérgio Paulo Rouanet, Luiz Roberto Monzani, Jurandir Freire-Costa, entre outros; todos criaram um ambiente no qual a obra de Freud foi difundida e compreendida num nível altíssimo.
Numa geração seguinte, autores como Christian Dunker e Vladimir Safatle (também presentes na coletânea) atualizam a presença da psicanálise na clínica e na cultura com um viés diferenciado. Como bem observou Mezan em seu posfácio, muitos dos autores- entre os quais me incluo- revelam um viés político e ético para evidenciar a importância de Freud, hoje.
Uma época na qual a experiência humana volta ser reduzida à biologia, na qual o narcisismo das pequenas diferenças floresce em intolerância, na qual o policiamento sobre o desejo e sobre a linguagem voltam a crescer, disfarçados no discurso politicamente correto.
Ou ainda, uma época na qual se vende a felicidade como uma técnica acessível a todos, mentalidade positiva que se revela uma fábrica de produzir culpa e depressão.
Numa época assim, o pensamento de Freud mais do que atual, é necessário. Colocar em ação o trabalho do negativo para evidenciar o que há de mortífero e pobre nos discursos hoje dominantes não é pouca coisa.

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