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Perdido em Marte (Dir.: Ridley Scott, EUA, 2015)

Eduardo Benzatti

Demorei a assistir Perdido em Marte do diretor Ridley Scotty. Deveria ter ido antes. Não é só um grande filme de “ficção científica,” mas, sobretudo, é um filme sobre o extinto de sobrevivência de nós humanos que amamos a vida – ao contrário do ISIS que amam a morte.

O roteiro tem como base o romance “The Martian” de Andy Weir. E começa com uma expedição ao distante planeta pela NASA – li não sei onde que tudo o que se passa no filme é impossível hoje com a nossa tecnologia, mas poderá ser factível se essa mesma tecnologia se desenvolver para os caminhos que aponta (comunicação, informática, transporte espacial, permanência no espaço, etc). Ou seja, nada é “pura” imaginação sem referência no real (pelo menos num real do futuro).

Nessa expedição um acidente deixa para trás o botânico Mark Watney (Matt Damon, ótimo) que é dado como morto. Mark sobrevive e tem que permanecer por mais de 500 dias no inóspito planeta até poder ser resgatado – várias agências espaciais e cientistas se unem nessa empreitada – união EUA – China.

É aí que reside o sabor especial do filme. As improvisações de Mark (para esticar o estoque de comida – como botânico ele consegue plantar batatas num planeta onde nada nasce da terra! -, para se comunicar com a NASA, para fazer longos deslocamentos, para enfrentar os imprevistos – são surpreendentes e engraçadas).

Aliás, o bom-humor com que o astronauta enfrenta o cotidiano no planeta vermelho é ponto forte do roteiro e da história. Otimismo e rir de si mesmo, eis um conselho interessante para todos os terráqueos. De quebra, ainda temos uma fotografia maravilhosa – potencializada pelo 3D e uma trilha deliciosa – é bom saber que no futuro o grupo sueco de música pop rock, ABBA ainda será ouvido aqui e em outros planetas.

Enfim, não tem como não criar uma empatia com outro ser humano perdido, solitário e lutando pela sobrevivência num lugar tão distante, um digamos, Robinson Crusoe do espaço.

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