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O que representa o Economic Partnership Agreement (EPA) para as Relações Internacionais entre Brasil e Japão?

Edmir Kuazaqui

Em 29 e 30/07/2019 tive a oportunidade única de presenciar como convidado a assinatura do EPA – Economic Partnership Agreement, acordo que visa formalizar as relações de cooperação internacional entre o Brasil e o Japão, a ser estendido para o Mercosul. O documento foi devidamente assinado pelo sr. Eduardo de Salles Bartolomeo, atual presidente da Vale e chairman do Brazil Japan Business Council e o sr. Masami IIjima, chairman do Japan-Brazil Economic Committee, Keindaren. O evento foi organizado no Brasil pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e locado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP)
Desde 1908 a cultura japonesa está presente no dia-a-dia do Brasil, onde reside a segunda maior colônia nipônica no mundo, só perdendo, é lógico para a população japonesa. Na atualidade, as influências se estendem, além culturais, nos níveis econômicos, tecnológicos e sociais. Destaca-se na entrada de capital e investimentos japoneses no país, na contribuição na agricultura, em especial na soja e até nas peças de aeronaves produzidas pela Embraer e tentativa de despoluição do rio Tietê.
Em razão de mudanças nas políticas e nos objetivos comerciais nos últimos anos no Brasil, houve um afastamento gradual pelas duas partes, onde o país diminuiu gradativamente as exportações, inclusive com os Estados Unidos da América, bem como a redução de investimentos japoneses no Brasil.
Conforme depoimentos de diversas autoridades e representantes, como a Mitsui & Co, All Nippon Airways Co. Ltd, Japan Tobacco, Japan External Trade Organization (JETRO), Mitsubishi Electric Corporation, Toyota Motor Corporation, Robson Braga de Andrade (Presidente da CNI), Paulo Skaf (Presidente da FIESP), Toshifumi Murata (Presidente da Câmara de Comércio Brasil – Japão), Embaixador Reinaldo Salgado e Luiz Fernando Furlan, entre outras importantes empresas, a partir deste ano está ocorrendo um alinhamento político e econômico, não somente do Brasil, mas também um movimento saudável mais interessante relacionado em países próximos como Argentina, Paraguai e Uruguai. Desta forma, até em virtude dos dois encontros entre o atual presidente do Brasil com os japoneses, inclusive na cúpula G20, houve a intensificação da necessidade de aprofundar os relacionamentos entre os dois países.
Historicamente falando, o Brasil sempre foi um grande exportador de commodities, mas tem o café solúvel um dos objetos de desejo dos consumidores japoneses e como importador, produtos de melhor valor agregado. No caso especifico do café, existe a intenção de redução das alíquotas de importação por parte dos japoneses, como um dos exemplos consequentes da assinatura do contrato.
Existe a intenção do Japão em investir na infraestrutura brasileira que possibilite um melhor escoamento de bens, a entrada de maior capital estrangeiro e no auxílio de projetos que envolvam tecnologia de automação e de informação. A Toyota Motor Corporation informou em primeira mão de que passará a produzir no Brasil seus automóveis flex, para atender o mercado interno, bem como de exportação.
Outros assuntos foram discutidos, como a presença do Agribusiness, Indústria 4.0 e 5.0, Sustentabilidade e outros assuntos bastante interessantes para o desenvolvimento econômico e social. Encerro este breve relato reproduzindo, mais uma vez, os comentários dos participantes e em especial do President & CEO do Mizuho Bank Ltd, Shinichi Sanui e também por Nobumitsu Hayashi, Deputy Governor, Japan Bank for International Cooperation (JBIC) onde afirmou-se que os as parcerias e investimentos são decorrentes de diversas análises como as de ordem econômica, mas, principalmente, aquelas relacionadas à área política. Enfim, Soma-se a este evento a que levou a parceria entre Brasil e União Europeia que, com certeza, conduzirá com ventos fortes a economia brasileira.

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