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O que move as pessoas?

Edmir Kuazaqui

Em recente atentado ao presidenciável Bolsonaro, ficou claro a dicotomia do mundo em que vivemos. De um lado, um criminoso justifica seu crime devido a diferenças políticas e, de outro lado, um médico que realizou complexo procedimento médico pelo SUS e que “ganhou” R$ 367,00 pela atividade. E é disso que trata este texto opinativo. O que realmente move as pessoas para seguirem um determinado caminho?
Boa parte da população tem o hábito de acordar cedo, trabalhar e ir estudar, no sentido de obter o desenvolvimento pessoal e profissional e consequente inserção e destaque social. Encontram em sua rotina esperanças e motivações que os conduzem para ações positivas dentro do que chamamos de livre arbítrio, decidindo o que e como fazer as coisas acontecerem.
Dentro desta situação endógena, temos os estímulos externos que influenciam também nas nossas percepções e decisões, possibilitando o enfrentamento de barreiras, como também a conquista de oportunidades únicas que a vida nos proporciona. O que leva um professor a investir seu final de semana em pesquisa e criação de materiais para ministrar uma boa aula para seus alunos na semana seguinte? O que leva um médico a exercer a sua atividade profissional de forma ética e moral sem ter, necessariamente, a contrapartida financeira? O que motiva uma pessoa que resgata e adota animais de rua?
Podem existir inúmeras respostas envolvendo justificativas motivacionais e até empreendedoras, mas é muito reducionista encontrar e enquadrar em respostas feitas para uma provocação tão complexa. Esse norteamento que resulta em movimentos e ações positivas parte, como comentado, do ser, do seu interior e como este percebe a sua presença e importância dentro do ambiente onde vive. Neste ambiente ele se relaciona com outras pessoas, amigos, colegas, familiares, empresas e instituições que lhe proporcionam em conjunto uma visão de mundo e como este pode colaborar, contribuir ou mesmo transformar esse cenário, por vezes de forma disruptiva ou mesmo exponencial.
Algumas empresas, por exemplo, se descolam da economia, da chamada crise econômica e política que o país está passando e descobrem novas formas de produzir e comercializar; identificam novos nichos de mercado e soluções para os problemas de seus consumidores. Não é somente uma reação para garantir a sobrevivência corporativa, mas em princípios e valores lastreados em responsabilidade social e com o compromisso tácito com o próprio indivíduo e daqueles que dele dependem. E, dai talvez, possa-se contextualizar com os seus projetos de vida, que podem ser grandes ou grandiosos.
Como exemplo, uma pessoa que em início de carreira e já trabalhando numa multinacional inglesa, tinha como grande projeto de vida ser presidente da empresa. Com muita garra, estudos e esforços conquistou, por meio de promoções, atingir a média gerência até o encerramento das atividades da empresa no país. Todo o esforço parece que foi em vão, mas os relacionamentos e as experiências de vida o fizeram refletir e ter outra percepção do ambiente e da vida. Desistiu dos grandes projetos, que eram pessoais e materiais, para a tentativa de projetos grandiosos, como dar assistência para as pessoas carentes e animais abandonados. Com essa mudança de paradigmas, o que era o fim se transforma em meios de atingir uma melhor qualidade de vida para todos.
Esse “sair da curva” nem sempre é percebido pelas pessoas. Muitos, na tentativa de se sobressair no ambiente de trabalho, procuram estender o seu horário de trabalho, chegando mais cedo e saindo mas tarde sem, contudo, contribuir de forma diferente e positiva, transformando processos, nas formas de trabalho, nos relacionamentos, na comercialização e na identificação e desenvolvimento de novas oportunidades de negócios.
Com certeza, o médico citado no início deste texto opinativo cumpriu com as suas responsabilidades e atuou de forma correta e profissional perante a situação, talvez movido pela responsabilidade ética ou mesmo moral que, com certeza, fez bastante diferença para a consolidação da classe médica. E também para o paciente.

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