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O Papa é argentino: especulação versus mídia

Armando Tadeu
Professor do Intergraus

 

Para quem assistiu ao programa Legião Estrangeira da TV cultura no domingo (17 de março) percebeu na fala do correspondente internacional Tood Benson, da Agencia de Noticias Reuters/EUA, a frustração, não só da Reuters, mas pelo jeito de várias equipes de noticias nacionais e internacionais, ao ouvirem que o Papa é argentino. Benson abril o programa dizendo que “pra Reuters foi um certo anticlímax (decepção) por que como estamos trabalhando no Brasil, maior país católico do mundo, com grande chances, segundo os especialistas, de um brasileiro ser escolhido, preparamos muito material a respeito de Dom Odilo Scherer e nada foi usado”.

Que chato hem! Quanto trabalho desperdiçado por se confiar na especulação. Mas quem estava esperando um Papa argentino? Essa foi a grande surpresa, deixaram explicito os correspondentes internacionais de diferentes partes do mundo que participaram do recomendável programa.

A especulação foi um tanto quanto cruel com experientes profissionais que tiveram que fazer um rápido levantamento sobre a vida de Jorge Mário Bergoglio para apresentar ao mundo o perfil e histórico de vida do Papa Francisco. Daí a publicação de informações sem importância, como o fato do recém eleito pontífice gostar de animais. O que poderia fazer um jornalista nessa situação a não ser lamentar e corre atrás do que, de imediato, tivesse ao seu alcance?

“Habemus Papan”, o famoso termo em latim dito pelo cardeal francês Jean-Louis Tauran anunciou o primeiro jesuíta, o primeiro latino-americano, o primeiro argentino e o sucessor do primeiro pontífice a renunciar nos últimos 598 anos de história da igreja. O último Papa a renunciar foi Gregório XII em 1415.

Francisco, nome escolhido pelo cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio para ocupar o cargo máximo da Igreja Católica, é o Papa de número 266. Nascido em Buenos Aires, assume com 77 anos de vida orbitando sobre ele bem ditas e mal ditas atitudes, decisões e opiniões. Surge como um defensor dos pobres, prometendo disseminar a essência do cristianismo, adotando e transmitindo a simplicidade não se deixando, pelo menos de início, seduzir pela ostentação do cargo e pelos privilégios e mordomias que este lhe confere.

Leonardo Boff, um dos ícones da teologia da Libertação (interpretação marxista da Bíblia), esteve no centro do programa Roda Viva da TV Cultura do dia 18 do mês corrente, e demonstrou grande entusiasmo com a nomeação do vizinho territorial. Crítico de Bento XVI, defendeu o Papa Francisco e depositou grande esperança no futuro da Igreja Católica Apostólica Romana. Aparentemente Boff deu a entender que não se deve confundir o Cardeal Bergoglio com o Papa Francisco ao rebater as criticas feita em função de atitudes e opiniões do passado do novo pontífice. O Papa Francisco assumiu três reinados. Um, espiritual, alcança 1,2 bilhão de pessoas. Outro relaciona-se com a estrutura mundial da Igreja, com cerca de 3.000 bispos e um milhão de padres e religiosas. Finalmente, vem o Vaticano, com a Cúria Romana, afirma Élio Gaspari em sua coluna no jornal Folha de São Paulo.

Só não podemos esquecer que Francisco existe pela renuncia do pontífice anterior e não pela sua morte. As especulações e entusiasmo em torno da escolha e da imagem do novo Papa encobrem, pelo menos por enquanto, as especulações em torno do real motivo que levou a renuncia de Bento XVI. “É uma guerra de possibilidades, suspeitas e versões” afirma o jornal do Vaticano que “acredita que só com o tempo os fiéis e a igreja vão entender a importância de sua herança e a nobreza do seu gesto”. Pois bem, então para passar o tempo vamos especular: Pedofilia? Poder paralelo ao de Josef Ratzinger? Irregularidades no Banco do Vaticano? O Vatileaks? A divulgação de documentos confidenciais pelo mordomo?  É muito mistério para um pequeno país que representa o poder de Deus, a quem nada fica encoberto.

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