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O aprender a empreender

Luís Antonio Volpato e Edmir Kuazaqui

A história tem evidenciado que as riquezas acumuladas pela humanidade foram resultantes de esforços essencialmente produtivos, econômicos e financeiros de empresas. Essa realidade fez sentido numa época em que as nações ainda não estavam interligadas mundialmente, da mesma forma que as empresas atendiam pontualmente demandas especificas da sociedade onde estavam inseridas. Com o crescimento das nações, realidade do mercado aberto e o aumento da concorrência, tornou-se imprescindível que recursos e insumos fossem utilizados de forma mais apropriada, eficaz e que isso fossem gradativamente se tornando um diferencial competitivo. Com isso, além das empresas procurarem fidelidade com seus clientes externos e internos, de forma a melhorar sua performance e resultados, se posicionando para o futuro, elas têm de descobrir novas soluções para seus problemas corporativos a partir também de seus colaboradores e talentos organizacionais.
Peter Drucker já enfatizava a necessidade das empresas em obterem maior produtividade por meio de seus colaboradores internos, incentivando-os e motivando-os a produzir cada vez mais e melhor e sempre com a qualidade percebida necessária. Instituições de Ensino Superior (IES) se voltam para que seus programas de cursos sejam direcionados para a construção de competências essenciais e necessárias para a empregabilidade de seus egressos.
Dentre as competências essenciais, o Empreendedorismo se destaca como uma das competências pessoais e por que não dizer gerenciais mais importantes de forma a fazer as coisas acontecerem, contribuindo para os negócios e resultados das empresas.
Pensando desta forma, temos uma série de conceitos e aplicações que visam com que as pessoas tenham o chamado “espírito empreendedor” como uma das competências mais importantes em todos os momentos e situações e não somente em tempos de crise. Um ponto a ser discutido é como colocar essa “roda empreendedora” em movimento de forma estratégica e com perenidade. Em primeiro lugar, pessoas devem ter a capacidade de terem conhecimentos estruturados de forma a interpretar dados e informações, fatos e situações que se tornem relevantes para sustentar argumentações e o seu processo decisório. Essas pessoas podem ter comportamentos e atitudes diferenciadas, que advêm da reflexão do ambiente onde está inserido e como responsável por suas mudanças e transformações.
Em segundo lugar, pessoas devem ter habilidades, que muitas vezes são relacionadas à procedimentos ou processos, ou seja, como fazer com qualidade, de forma concreta. Essas habilidades serão bem executadas, se houver atitudes, ou seja, predisposições sobre determinada situação, que orientam, motivam e estimulam as ações diferenciadas de pessoas.
E, finalmente, as competências, que podem ser definidas como a capacidade de pessoas em se mobilizar de forma a trazer resultados positivos para sí, para o grupo e para os negócios de uma empresa. Pode-se afirmar que competências são mais complexas de serem atingidas, pois são resultantes da qualidade de conhecimentos, habilidades e atitudes devidamente direcionadas e focadas para um propósito maior.
Concluindo, o ensino do empreendedorismo pode levar em consideração como encontrar diferentes soluções para problemas cotidianos, bem como abrir um novo negócio, porém esta competência não deve se limitar somente por esses parâmetros, mas deve ser ensinada de forma a torná-la um elemento aglutinador constante, parte integrante do cotidiano de pessoas bem resolvidas. Então, talvez, não se deva limitar o tema como um simples aprender a ser empreendedor: muito pelo contrário. Pensando numa evolução, pessoas devem apreender a aprender, como bem citado por Anastasiou, de que conhecimentos e, neste caso, o empreendedorismo como competência, devem ser apreendidos de forma a se tornarem parte integrante de pessoas e não somente um mecanismo de defesa, como o caso de muitas empresas, para momentos de crise ou mesmo pela falta de gestão dos responsáveis.
O apreender a empreender então se torna parte de um desafio pessoal mais amplo, onde a pessoa terá esta competência como parte integrante de seu Ser, e vital não somente para aspectos empresariais, como também para a qualidade de vida pessoal e social. Vamos refletir sobre o assunto?

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