Nada de namoro ou passeio em praças

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Cézar Veronese, Professor do CPV Vestibulares

Uma das maiores curtições do turista brasileiro são as praças e parques. Todo mundo adora o Central Park, a Praça Navona em Roma, Trafalgar Square (apesar dos pombos) em Londres, sem contar os zilhões de praças de Paris, algumas que, em extensão, como La Concorde, mais parecem uma pista de pouso. E há ainda aquelas praças do coração, não internacionalizadas e que pouca gente conhece. A minha é a minúscula e belíssima Praça de Espanha, no bairro do Batel, em Curitiba.
Gostamos de flanar, sentar nos bancos nos lambuzando com um sorvete, tentar, bobamente, fazer o decalque do cartão postal com o celular… Mas curtimos, principalmente, ficar olhando o entorno, os jardins, os prédios bonitos, as gafes dos turistas, vê-los com roupas das grifes mais caras do mundo acompanhadas de tênis e sacolas de plástico…
Visões e venenos à parte, o que também nos agrada muito numa praça é poder estar numa ilha onde não seremos expulsos pelos malditos automóveis. Essa é a realidade das cidades, sejam megalópoles ou de pequeno porte.
Na cidade de São Paulo nada disso é possível. A maioria das praças simplesmente foi abandonada, mesmo com a política de fachada dos últimos prefeitos, que gastam milhões para restaurar uma ou outra para, em seguida, abandoná-la outra vez. Entre as praças novas e restauradas da cidade, duas são um exemplo perfeito das intenções da Prefeitura. Penso na reestruturação da Praça Roosevelt, no centro, e na enorme praça do Largo da Batata, à saída da estação Pinheiros do metrô.
Esta última é um vasto descampado de concreto com meia dúzia de árvores anãs e que não crescerão mais do que o porte atual. Tudo aberto, concreto puro, sem um único espaço aconchegante, sem um chafariz, sem uma escultura, sem qualquer florzinha tropical que cresce até em chaminé de fábrica. A Roosevelt repete a mesma estética, porém na forma de um amontoado de degraus que a tornou o paraíso dos skatistas. Pergunta: quem se arrisca a circular ou sentar num espaço em que a qualquer momento pode ser atropelado por um skate?
A estética dessas “praças” parece ter vindo de Munique, diretamente da prancheta de um arquiteto nazista. A questão é que as praças de São Paulo não são concebidas como um espaço de circulação pública, um lugar para passear com a criança, para trocar o primeiro beijo, para ler, para jogar conversa fora com os amigos. Elas são pensadas como espaços abertos, sem árvores e sem aconchego para que a polícia, de dentro da viatura, possa ver o bandido, o traficante, o “mau elemento”. Um contracenso completo com as políticas da Prefeitura que, em tese, procuram integrar o cidadão à cidade..
E assim as praças ficam conhecidas apenas nos programas do Marcelo Rezende e do Datena.
Para ler outros textos do Prof. Veronese, acesse blog do CPV (link dicas culturais do verô)

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