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Juro negativo: o cidadão paga para investir na Europa e no Japão? Isso faz sentido para você?

Simone Pasianotto

Enquanto nós brasileiros ainda estamos nos acostumando com uma nova realidade na renda fixa, balizada à menor taxa básica (Selic) da história, em 5,5% ao ano, investidores na Europa e no Japão já estão habituados às taxas de juros negativas há algum tempo. Em termos práticos, cidadãos desses países que optam por investir em títulos com taxa negativa pagam para investir. Ou seja, aplicar 100 euros em um título público suíço, com taxa de -0,75% ao ano, significa dizer que o investidor perde 75 centavos de euro por ano. Isso sem considerar os efeitos da inflação que, apesar de ser baixa nesses países, também faz o dinheiro perder valor.
Mas isso faz algum sentido? Quem em sã consciência paga para investir seu dinheiro? Na verdade, o objetivo da política monetária que institui a taxa de juros negativo é estimular o consumo e desestimular que o dinheiro fique “parado” no banco. Como esses países estão crescendo em um ritmo mais lento, com a economia e o consumo bastante prostrados, os governos optam por colocar o juro em patamares negativos visando estimular as pessoas a gastar o dinheiro em vez de deixar aplicado em investimentos financeiros. É uma forma de tentar estimular a atividade econômica.
Assim, entendida a lógica pelo lado do governo, o que levaria, em contrapartida, um investidor comprar um título público que rende uma taxa de juro negativa? Basicamente há duas explicações. Primeiro, porque o custo de manter o dinheiro parado na conta corrente é maior do que comprar um título com juro negativo, dado o fato de que os bancos na Europa cobram taxas de manutenção sobre contas paradas. A segunda razão diz respeito à expectativa de que as taxas possam cair mais. Se o juro cair à frente, o preço do título sobe e o investidor teria um ganho financeiro se optasse por resgatar o título naquele momento.
No Japão, taxas de juros negativas são uma realidade desde o início dos anos 2000. Já na Europa, a adoção de uma política monetária com taxa de juros negativa é ainda reflexo da crise financeira de 2008, que freou a atividade econômica global e forçou os principais bancos centrais – dos EUA, Europa e Japão – a reduzir drasticamente os juros básicos de suas economias para minimizar os efeitos da crise. Apesar de os Estados Unidos terem conseguido retomar o crescimento econômico, as economias japonesa e da maioria dos países europeus seguem sua trajetória econômica estagnadas desde então.
O investidor que reside em países com taxas de juros negativas precisa, necessariamente, assumir maiores riscos nas suas aplicações para conseguir obter rendimentos positivos.

https://infinityasset.com.br/blog/wp-content/uploads/2019/09/rankingdejurosreais18092019.pdf
http://moneyou.com.br/opinio/ranking-mundial-de-juros-reais-set19.html

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