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Homem Irracional (Dir.: Woody Allen EUA, 2015)

Eduardo Benzatti

Woody Allen continua Woody Allen. Nesse novo filme “Homem Irracional”, Joaquin Phoenix é o escolhido da vez para ser seu alter ego: um professor de filosofia (Abe Lucas), deprimido e desiludido com a filosofia e com a carreira de professor. Recém-chegado em uma pequena cidade dos EUA para lecionar, envolve-se com duas mulheres (uma professora casada e uma aluna também comprometida).

É numa das saídas com essa aluna que presenciará (melhor: escutará) uma conversa que irá mudar definitivamente sua forma de ver o mundo: por que não matar um outro ser humano que só prejudica outras vidas? Deixando de lado todo o debate filosófico sobre o Bem e o Mal, o Certo e o Errado, o Moral e o Imoral, o Ético e o Não Ético, Abe passa da teoria à práxis e coloca em movimento seu plano de assassinar um juiz (logo, um juiz que deveria representar a Lei, a Ordem e a Justiça, mas representa o oposto disso tudo).

Essa decisão muda radicalmente a forma de Abe ver a existência e a humanidade. Passa a ver sentido nas coisas mais banais da vida, como um café da manhã. Claro que sendo um Woody Allen as coisas irão se complicar e a trama desemboca num final surpreendente – que eu não vou revelar.

Roteiro contado, resta se deliciar com os diálogos que saem da boca de Abe Lucas/Woody Allen, com seus trejeitos, suas caras e mais com tudo aquilo que nunca falta num filme desse diretor: interpretações teatrais, trilha composta por música clássica e jazz de primeira qualidade, referências à psicologia/psicanálise/psiquiatria – questões edipianas; tratamento farmacológico -, à literatura russa (o filme nos remete, não por acaso, à “Crime e Castigo” de Dostoiévski) e aquele humor acre-doce “woodyalleano” que dá um tempero especial aos seus filmes.

Fora tudo isso, ainda temos a boa interpretação de Joaquin Phoenix – com uma barriga típica de professor desleixado de meia idade – que fica citando (de forma bem superficial, diga-se de passagem) Sartre, Heidegger, Hanna Arenhdt para tentar explicar – e se convencer – o quanto o mal é uma parte intrínseca da constituição do ser humano, desse Homem que procura a racionalidade como antídoto aos seus “instintos mais primitivos”, como diria… Roberto Jefferson.

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