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Geração Playstation do Futebol, mas não do Futebol Brasileiro

Clarisse Setyon

Parágrafo inicial de reportagem de uma revista semanal “Na Inglaterra gosto do Newcastle, na França do Lyon, na Espanha do Villareal,… mas torço pro Vasco desde que nasci”.

Este diálogo é com um brasileiro, estudante de jornalismo. Ele completa: “Assisto à Champions League da Oceania”. Uau … nosso futebol deve andar ruim das pernas mesmo …

A Oceania está no Hemisfério Sul, do “lado de lá” da gente. Estamos falando da Austrália, Nova Zelândia, Samoa, Fiji, Ilhas Solomon, Taiti, Tonga, Papua Nova Guiné, entre outros rincões famosos por seu futebol, pelos seus craques.

Será que estamos, de fato, perdendo audiência para a Champions League da Oceania ? Talvez.

De acordo com o texto lido, a camisa mais vendida pela Centauro, em 2014, foi a do Barça. Das dez camisas mais vendidas, apenas 4 são de times nacionais.

É, a coisa está feia. Até o minion na minha mesa de trabalho já disse: bababananana ! É o que nosso futebol está merecendo. Uma grande banana !

A tônica do texto que li é sobre a geração Playstation. Porque a chamam assim ? Por que fala sobre os jovens que já nasceram na era da internet, da TV a cabo e com uma escolha plural de games de futebol. Uma geração que não conhece fronteiras geográficas quando se fala de torcida futebolística. Porque tenho que torcer para o time do meu pai ? Para o time do meu bairro ? Da minha cidade ? Liberdade de escolha. Globalização. É isto.

É comum escutarmos, em aulas de marketing, o professor dizer “cuidado, seu concorrendo não está mais apenas na mesma rua, no mesmo shopping, na mesma cidade. Ele pode estar em outro país”. Ou vai dizer que você nunca comprou alguma coisa pelo Ali Express ? E esta mesma “alguma coisa” estava à venda a uns poucos quilômetros de distância da sua casa ? Pois então. Este mesmo fenômeno está rolando solto no futebol.

O futebol continua sendo uma paixão nacional, mas agora a paixão ultrapassou as barreiras geográficas. Somos apaixonados por times internacionais.

Vamos e venhamos que alguns times internacionais têm lá seus atrativos: é para lá que nossos craques querem ir, suas finanças estão em ordem, o calendário dos jogos é um calendário “responsável”, os patrocínios são de longo prazo (o Banco Barclay patrocina a Premier League desde 2001 – Barcleycard de 2001 a 20014 e, em seguida, Barclay. A Nike patrocina a bola do torneio desde 2000) e não patrocinam apenas visibilidade, sabem definir objetivos, sabem ativar seus patrocínios, há profissionais de fato trabalhando nos clubes … a lista é grande.

Trajar camisas de clubes “estrangeiros” tem pelo menos uma grande vantagem: você dificilmente será agredido por um torcedor inimigo na rua, no metrô ou no ônibus.

Será que isto tudo tem a ver com o Marketing praticado por estes clubes além-mar ? Será que eles estão sabendo conquistar a paixão dos fãs, como mandam as premissas mercadológicas ? Será que tem alguém nos clubes que sabe o que é branding e que está cuidando deste branding ? Há chances que as respostas as estas e mais perguntas, seja SIM.

Damos uma espiada rápida no futebol inglês ? Na temporada 2013–14 a média de público da competição foi de 36 631 pessoas, sendo a segunda mais alta em ligas de futebol profissional, atrás apenas da Bundesliga. A Premier League é operada como uma corporação e pertence aos vinte clubes participantes. Cada clube é um acionista com direito a voto em questões como mudanças de regras e contratos. Em termos de futebol mundial, os clubes da Premier League são alguns dos mais ricos do mundo.

Há problemas na Liga Inglesa ? Claro que há. Mas estes problemas parecem não afetar os resultados de uma pesquisa feita, em dezembro de 2014, pelo Twitter, Facebook e Instagram.

São 4 os times ingleses entre os 10 times mais populares (Arsenal em 3º., Chelsea em 4º., Manchester United em 6º, e o Liverpool em 8º lugar). Ah, mas o Corinthians vem em 9º …

(Se você ficou curioso para conhecer o 1º e o 2º lugar, claro, são o Barça e o Real Madrid).

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