refugio

Dheepan – o Refúgio (Dir.: Jacques Audiard, França, 2015)

Eduardo Benzatti

“Dheepan – o Refúgio” do diretor francês Jacques Audiard (do ótimo “O Profeta” de 2009) foi o grande vencedor da Palma de Ouro no último festival de Cannes (2015). O filme é bom, mas não sei se para tanto. Trata-se da história de Dheepan (Antonythasan Jesuthasan) e Yalini (Kalieaswari Srinivasan), dois refugiados da guerra civil do Sri Lanka que se juntam a uma menina, fingem ser uma família – utilizando documentos falsos – e conseguem imigrar para a Europa. Chegando à França se estabelecem no subúrbio de Paris, arrumam trabalho e começam a viver (pelo menos tentam) como uma família normal.

Ele trabalha como zelador de um bloco de apartamentos populares, ela consegue um trabalho de empregada doméstica-cozinheira-cuidadora de um senhor nas proximidades (o tio de um traficante); e a menina vai para a escola procurando se socializar com as outras crianças e aprender a língua francesa que seus “pais” não falam. Até aí parece ser mais um dos tantos filmes sobre imigrantes que lutam para sobreviver numa outra cultura.

Porém, uma situação que vai se insinuando no decorrer do filme, explode no final. Procurando refúgio e paz num outro país, essa família encontrará outro tipo de violência na periferia de Paris: a luta entre gangues rivais pelos pontos de tráfico de drogas (ou seja, nesse sentido Paris não difere de nenhuma grande cidade do mundo globalizado). E o pior, a violência vai envolvê-los novamente e Dheepan – um ex-guerrilheiro acostumado desde criança com a guerra civil – vai se transformar de pacato zelador num terrível matador. Esse me parece ser o centro da história: para alguns imigrantes que fogem da violência na África ou na Ásia viver nas piores regiões das cidades europeias representa muito – em relação ao nada que tinham -, mas a violência (o preconceito, o estigma e a discriminação) será sempre um elemento presente em suas novas vidas.

Resta, na última sequência, um pouco de paz, que se encontra do outro lado do Canal da Mancha.

Como disse, bom filme, mas não para uma Palma de Ouro.

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