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Dano na imagem do patrocinador

Por Clarisse Setyon
Professora ESPM

Há anos atrás, em 2010, quando o goleiro Bruno do Flamengo foi inicialmente colocado na posição de suspeito pelo assassinato de Eliza Samudio, umas das primeiras notícias que pipocou na imprensa foi a suspensão do contrato de patrocínio que o atleta tinha com a empresa Olympikus.

Lembro que, na mesma semana, fui procurada por alguns veículos, para dar depoimentos sobre o tema. Isto foi na mesma época em que outro atleta, Tiger Woods, também perdia contratos valiosíssimos de patrocínio.

Um jornalista me perguntou quanto a Olympikus estaria perdendo com o capítulo do goleiro Bruno. Perguntei a ele que “medida” ele estava falando ao me perguntar “quanto” a empresa perde. Ele queria falar de valores. Eu disse a ele que não haveria como responder esta pergunta, por vários motivos.

Também lembro de que ele me perguntou como uma empresa deveria escolher os atletas e/ou times que patrocinaria, a fim de evitar este tipo de constrangimento. Aí sim, eu tinha uma reposta. Eu disse a ele que uma investigação profunda da vida e da carreira dos atletas, poderia evitar patrocinar potencias “criadores de problemas”.

Hoje, 3 anos após este incidente, revisito minha posição a respeito destes dois assuntos.

Em relação ao primeiro, quanto uma empresa perde ($) quando um acidente deste tipo acontece, continuo achando que não pode haver uma resposta fechada, um valor. Assim como não há, uma resposta apenas, para uma pergunta contrária: “Quanto ganha uma empresa que patrocina um bom atleta?

No segundo caso, sobre a investigação profunda sobre atletas, prévia a um contrato de patrocínio, creio ter mudado de opinião. Atletas não são super heróis, não são máquinas, são providos de sentimentos, frustrações e angústias. Não se sabe que dimensão estas podem adquirir. Não se tem controle sobre as consequências que estas podem gerar.

Uma investigação continua se fazendo necessária. Prevenir é o melhor remédio. Entretanto, uma investigação não tem o poder de bola de cristal.

Há outro ponto em relação em relação a isto tudo que deve ser pensado.

Acredito (eu e minhas esperanças !!) que o consumidor/fã, hoje, sabe diferenciar quem deu o passo em falso: o atleta ou a marca que o patrocina. Este consumidor/fã não irá punir uma marca por que seu atleta cometeu algum deslize. O dano à imagem do atleta é infinitamente superior ao dano causado à marca.

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