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Abstract: the art of Design. O processo criativo e o trabalho multidisciplinar

Pedro de Santi

No último dia 10/02, a NETFLIX lançou uma série original com 8 episódios. Em cada um, um grande nome do Design mundial conta e mostra seu trabalho por cerca de 45 minutos. Assista ao trailler em: http://www.b9.com.br/71046/cultura/netflix-estreia-hoje-serie-documental-abstract-the-art-of-design/.
Tudo na série é bom, menos o título, que foca naqueles interessados especificamente em design. Na realidade, todos os sete cursos da Graduação da ESPM em São Paulo podem tirar muito proveito do material.
A estrutura de cada episódio é semelhante: o designer conta como compreende seu processo criativo enquanto realiza um projeto real, da concepção à entrega a quem o encomendou. Entremeado a isto, sua trajetória vai sendo ilustrada, da infância ao reconhecimento profissional.
A série é desigual, mas sempre instigante. As personagens são (umas mais, outras menos) interessantes e a produção consegue nos introduzir no universo deles e na torcida para que o projeto em curso seja bem sucedido. O que, naturalmente, se dá, com o perdão do spoiler.
Os designers são os seguintes: Christoph Niemann, ilustrador; Tinker Halfield, designer da Nike; Es Devlin, cenógrafa; Bjarke Ingels, arquiteto; Ralph Gilles, designer de automóveis; Paula Sher, designer gráfica; Platon, fotografo; eIlse Craeford, designer de interiores. Cada um pertence a um campo distinto, de países diferentes (embora quase todos os episódios passem por Nova York ou Londres). Não sou qualificado para saber se são nomes representativos ou se especialistas na área gostariam do conteúdo.
Mas como disse no início, “Abstract” não é um nome que dê conta do que nos é apresentado; a série vai muito além da abstração inicial dos projetos criativos. Ela mostra projetos realizados, geniais, belíssimos e com qualidade de execução perfeita. Há momentos deslumbrantes.
Para além do interesse geral sobre o tema e a beleza da produção, o que mais me chamou a atenção foi como o trabalho de todos envolve diversos saberes e áreas, muito mais do que a dificílima elaboração de projetos. Todos são gestores (de escritórios e equipes), profissionais de comunicação atendendo à demanda de clientes, sujeitos implicados socialmente em seus mundos. Eles são conhecidos como designers, fotógrafos ou arquitetos, assim como nossos cursos de graduação ainda se denominam especificamente e formam alunos “especialistas em” alguma coisa. Cada um destes denominadores é absolutamente insuficiente para descrever a complexidade da vida no trabalho.
A multidisciplinariedade, como capacidade de mobilização de saberes diversos e complexos é algo a ser alcançado pelos nossos currículos e estruturas de ensino. Na vida, já é necessariamente assim.

Trata-se de mas uma série original da NETFLIX, que tem emplacado bolas dentro seguidas. Com a concorrência a ela chegando por YouTube, Globo Play, de fato estamos assistindo ao fim do modelo até pouco tempo onipresente TV, e sua programação fixa. Pelo menos, vamos nos livrar dos custos altíssimos da assinatura de TV a cabo.

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