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A Ponte dos Espiões (Dir.: Steven Spielberg, EUA, 2015)

Eduardo Benzatti

Quem que tenha assistido “O Resgate do Soldado Ryan” (1998) e lembra da sequência inicial – do desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia (6 de junho de 1944, o chamado de Dia D), sabe da capacidade do diretor Steven Spielberg de colocar o espectador de seus filmes no centro de acontecimentos cruciais da história contemporânea.

Pois bem, quem assistir “Pontes dos Espiões” será transportado para a Alemanha soturna do pós-guerra – em especial para a cidade de Berlim no exato momento da construção do muro que separou não só territorial, mas também ideologicamente um mesmo povo.

O clima da “Guerra Fria” – com suas redes de espionagem (informação e contrainformação), com a ameaça de um ataque nuclear, com a corrida armamentista, com a cassada aos comunistas pelo bloco capitalista (e vice-versa do lado socialista/comunista) – é a atmosfera que perpassa o novo filme do diretor (e mérito do roteiro: sem maniqueísmo moral-político-patriota).

Como protagonista um Tom Hanks no auge da sua maturidade como ator que interpreta James Donovan um simples advogado especializado em seguros (!) que um dia chega na firma na qual trabalha e recebe a notícia que foi convocado a defender Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião soviético preso pelo FBI.

Completamente inexperiente nesse campo do Direito, Donovan irá se tornar o pivô de uma intrincada negociação de troca de prisioneiros entre os EUA, a URSS e a Alemanha Oriental (RDA). Tudo acontecerá sem publicidade e os fatos só virão à tona depois de concretizados.

Esse é o foco desse trailer (sem grandes momentos de ação espalhafatosa, típica do cinema norte-americano; de heróis quase invisíveis e de diálogos bem-humorados apesar das situações) – que reconstrói não só a Berlim do início dos anos 60, mas também alguns pedaços e caminhos da cidade de NY da virada da década de 50 para a de 60. Tudo com o esmero típico das produções que Spielberg assina.

Ao final o que fica é a reflexão de que a história (e seus grandes processos) é feita de homens e mulheres comuns, e que muitas vezes não escolhemos ser os protagonistas dela, ela chega e nos leva de roldão. E de acaso em acaso, no meio dessas escolhas, ela escolhe a pessoa certa.

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