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A nova inserção do comércio exterior brasileiro no cenário internacional

Edmir Kuazaqui
Não cometo nenhum erro no título deste breve ensaio que tenho o prazer de redigir após uma profunda exposição e debate com o Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo.
Primeiro, e aproveitando a fala deste profissional, substituir o termo “abertura comercial” por “inserção comercial”, pois a abertura brasileira ocorreu na década de 1990. Depois, talvez alguns catedráticos entendam que eu poderia me referir ao comércio internacional e não em comércio exterior brasileiro. Vamos por partes: o Brasil (e desculpem o patriotismo e redundância, agora com ‘B’” maiúsculo) passa por um processo de transformação, passando de um estado ideológico para outro de cunho mais de negócios e dinâmico. Neste sentido para que este processo se desenvolva e consolide, é necessário a existência de instituições sólidas e que tenham objetivos convergentes e não dispersos e desfocados.
Neste sentido, o Ministério da Economia, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior reúne um grupo de responsabilidades que antes eram delegadas para áreas com objetivos diferentes, por vezes antagônicos e quase nunca convergentes. Agora, existe uma convergência neste Ministério e interessante notar o estado de São Paulo, o maior estado exportador da federação, que tem diminuído sua capacidade exportadora nos últimos anos e que está se reorganizando dentro da concepção das Cadeias Globais de Valor (CGV).
Outros pontos vitais se relacionam a uma mudança na Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) e um recrudescimento (se assim posso utilizar este termo) do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A partir desta convergência de interesses, temos a necessidade de que o país tenha estratégias que façam a diferença e que o consolide, não somente como exportador de commodities, mas gradativamente para um mercado de soluções inovadoras.
E é por isso que me refiro a “comércio exterior”. Dentro desta perspectiva, como um grande movimento propulsor, temos o recrudescimento (agora sim !!!) e transformação do Mercosul como um bloco econômico e que aumente o nosso poder de barganha frente a comunidade internacional. Se antes, desde 2013, as discussões foram infrutíferas, temos agora a possibilidade de ganhar força econômica, principalmente considerando o alinhamento político e econômico do Brasil e Argentina. Por falar nisso, em outra oportunidade, tive a chance de participar do evento da assinatura do EPA – Economic Partnership Agreement, o Brasil e o Japão e houve o mesmo discurso deste alinhamento. 
Enfim, depois de um longo período de jejum político-econômico-geográfico-social que o país passou, é com extrema alegria perceber que fortes ventos estão tentando impulsionar o nosso país para a comunidade internacional. De fato, todo país deve estar com os objetivos e metas devidamente traçadas e alinhadas com o mercado internacional. Nenhuma economia consegue sobreviver sem a participação de parceiros de outros países.
A diferença é que temos a possibilidade e oportunidade únicas de construir, sem demagogias ou falsas promessas, um país com um parque competitivo mais forte. Se na década de 1990 houve a abertura do mercado brasileiro para os produtos estrangeiros, de forma muito rápida, várias indústrias quase desapareceram, como às de confecções, e levaram muito tempo para se reconstruírem. Com o acordo entre o Brasil e a União Europeia, essa abertura comercial será gradual e as empresas brasileiras que quiserem permanecer no mercado e obterem o crescimento e desenvolvimento sustentável, deverão se desenvolver e serem mais competitivas no cenário internacional, além de descobrir novas formas de gestão e oportunidades de mercado. Devem se reinventar. Desta forma, espera-se que o processo de desindustrialização tenha menor intensidade nos próximos e a economia brasileira obtenha o seu merecido sucesso e inserção no cenário internacional. 

Adm. Dr. Edmir Kuazaqui

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