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“A Colina Escarlate” (Dir.: Guillermo del Toro, EUA, 2015)

Eduardo Benzatti

Ao terminar de assistir “A Colina Escarlate” do diretor Guillermo del Toro – do fantástico “O Labirinto do Fauno’ (de 2006) – entende-se o porquê de o filme ter custado 60 milhões de dólares. A reconstituição de época – da virada do século 19 para o 20 – em detalhes, a cenografia, o figurino, os efeitos especiais e a contratação de bons atores e atrizes justificam o dinheiro investido.

Trata-se de um “romance gótico” onde as mulheres (mortas ou vivas) tem papel preponderante. Edith Cushing (Mia Wasikowska), tem pretensões de ser escritora. Órfã de mãe vive um “´Édipo estendido” com o pai (Jim Beaver) até se apaixonar por Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um aristocrata inglês decadente que vive uma relação incestuosa com sua irmã mais velha Lucille (Jessica Chastain).

Esse é o núcleo principal da história. Há personagens secundários – entre eles um médico amigo da família interpretado por Charlie Hunnam -, além dos fantasmas é claro – pois Guillermo del Toro adora misturar os dois mundos: o real e o imaginário.

Se você gosta de “filmes de susto” eis um que não podes perder (ainda que não sejam em grande quantidade, pois o filme tende mais para um “terror psicológico”, menos escancarado como de praxe no cinema Hollywoodiano). Os fantasmas quando aparecem para Edith o fazem sem nenhuma sutileza – nesse aspecto, o filme lembra “Mama” (2013) – que não por acaso, o diretor desse produziu.

Na primeira parte a história se passa numa cidade do estado de New York (América) onde a protagonista vive com seu pai – um próspero industrial. Na outra, se passa numa localidade da Inglaterra, mais precisamente numa mansão tão decadente quanto seus moradores e que passa a ser personagem da trama na medida que aparentar também ter vida (quase uma homenagem ao conto “A queda da casa de Usher” do escritor inglês Edgard Allan Poe).

Narrado propositalmente de forma linear – como se fossem pequenos capítulos que se iniciam e fecham em si mesmos – o filme lembra a estrutura dos antigos filmes de clássicos de terror. Para tanto o diretor utiliza-se da técnica de “fade-outs” – quando a cena final de uma sequência fecha num foco escurecendo o restante do quadro.

Muitas pequenas histórias de terror e morte serão desveladas ao longo da narrativa – que termina numa sequência onde o sangue e a argila vermelha (que justifica o nome do filme) aparecem em abundância.

Cabe lembrar que na mesma época da história um jovem médico de Viena já avançava nos seus estudos sobre histeria – e esses analisavam as histéricas como mulheres que somatizavam no corpo esse tipo de neurose. Na sequência final as mulheres atuam suas histerias sem qualquer repressão. Aí sim é assustador – e nem precisa de fantasmas.

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